Exército de Myanmar justifica intervenção e sofre pressão internacional

O chefe do Exército de Myanmar chamou a intervenção de “inevitável”, nesta terça (2), apesar de estar sofrendo pressões internacionais e da ameaça de sanções dos Estados Unidos antes de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. 

“Esse caminho era inevitável para o país e é por isso que tivemos que escolhê-lo”, disse o general Min Aung Hlaing, que agora concentra a maior parte do poder, segundo a página oficial do exército nas redes sociais. 

Seus comentários foram feitos pouco antes de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU e depois que o partido de Aung San Suu Kyi, líder de fato do governo deposto, pediu sua “libertação” imediata. 

Pequim se recusou a criticar qualquer pessoa, limitando-se a pedir a todas as partes que “resolvam suas diferenças”.

Os Estados Unidos, depois de definir a situação como um “golpe”, alertaram que reduziriam sua ajuda à Myanmar. A ONU e a União Europeia (UE) também repudiaram. 

O Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, recorreu à rede social para condenar “firmemente o golpe levado a cabo pelo exército de Myanmar” e reclamar igualmente “a libertação imediata dos detidos”.

“Os resultados eleitorais e a constituição têm de ser respeitados. O povo de Myanmar quer democracia. A UE está a seu lado”, escreveu o chefe da diplomacia europeia.

A intervenção aconteceu nesta segunda (1º), sem violência. Um dia depois, os soldados continuavam mobilizados na capital, Naipidau, onde Aung San Suu Kyi, de 75 anos, e outros líderes de seu partido, a Liga Nacional para a Democracia (LND), foram detidos.

O Exército de Myanmar (antiga Birmânia) declarou o estado de emergência e assumiu o controle do país durante um ano, após deter a chefe do governo, Aung San Suu Kyi, informou um canal de televisão controlado por militares.

Aung San Suu Kyi 

A mesma fonte disse que Aung San Suu Kyi e o presidente da República, Win Myint, estão em “prisão domiciliar” na capital. 

O exército deve “reconhecer o resultado” das eleições de novembro, pediu o NLD no Facebook, denunciando por sua vez uma “mancha na história do estado e do Tatmadaw”, o exército birmanês.

Os militares, que negam a validade das eleições, vencidas pela LND, declararam na segunda-feira estado de emergência durante um ano, o que acabou de forma abrupta com uma década de processo democrático. 

As linhas telefônicas e o acesso à Internet funcionavam novamente e os bancos reabriram as portas. O aeroporto internacional de Yangun permanece fechado.

O Exército prometeu celebrar novas eleições “livres e justas” após o estado de emergência de um ano.