Cabral diz ao juiz Bretas “Fui achacado por políticos e fiz tratos com ministros do STJ”. Entenda o caso!

Sérgio Cabral, durante depoimento ao juiz Marcelo Bretas, citou os nomes do ex-ministro Moreira Franco, do ex-prefeito Eduardo Paes e do prefeito do Rio, Marcelo Crivella, como beneficiários de propinas por parte de empresas de ônibus, do empresário Eike Batista e falou dos tratos que fez com ministros do STJ.

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, disse que o suborno a políticos do estado pela Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) vem desde os anos de 1980, primeiro governo de Moreira Franco, até o de Luiz Fernando Pezão.

Cabral disse ter recebido, entre 2003 e 2006, quando era senador em Brasília, uma caixinha de Jorge Picciani de R$ 200 a R$ 300 mil, como forma de mantê-lo como o candidato do PMDB ao governo do Estado em 2006.

“Em 2006 me elejo governador. Na campanha de 2006, a Fetranspor me deu cerca de R$ 5 milhões, somando primeiro e segundo turno. Jorge Picciani se reelege presidente da Alerj, onde continua administrando o caixa da Fetranspor. Havia muita reclamação dos deputados na época do Picciani: ‘Ah, não está dando todo mês, não tô recebendo’. Minha filosofia era: ‘É um regime presidencial e é com ele que eu trato, não perguntava quanto recebia mas tinha a informação de que recebia R$ 1 milhão por mês, mas não sei quanto dava para cada um. Para o Executivo eram R$ 420 mil por mês.”

Cabral pediu para ser interrogado, dentro do processo Ponto Final, que investiga as relações entre empresários de ônibus e políticos fluminenses.

“Em nome de Deus, da minha família, da minha esposa, decidi colaborar, confessar, do arrependimento à Justiça e à sociedade. Venho aqui com o coração aberto, com disposição de falar amplamente tudo o que desejarem, colaborar com a Justiça, com a verdade, com o Rio de Janeiro, revendo os meus erros. É hora de falar dos erros”, iniciou Cabral.

Preso desde de novembro de 2016, Sérgio Cabral confirmou que todos os governos posteriores a Moreira Franco, incluindo o segundo mandato de Brizola, através de um secretário de Transporte, passando por Marcello Alencar, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, os dois mandatos dele, e o de Pezão tiveram caixinha dos empresários de ônibus da Fetranspor.

Cabral disse a Bretas que a Fetranspor destinou R$ 6 milhões para a campanha do ex-prefeito Eduardo Paes. Segundo Cabral, Crivella o procurou no Palácio Laranjeiras, pedindo dinheiro para apoiar Paes.

“O Crivella me liga e pede uma conversa no Laranjeiras, eu o recebo, em 2008, no início do segundo turno. Diz que está sendo pressionado a apoiar o Gabeira. Disse que o Armínio Fraga ofereceu um US$ 1 milhão para apoiar o Gabeira. Eu e ele, sem testemunhas, no Palácio das Laranjeiras. Eu liguei para o Eike Batista. Fui à casa do Eike. Chamei ele num canto e disse que combinei em dar US$ 1,5 milhão para o Crivella. Ele disse tudo bem. Marquei com o Paes às 6h. Contei a ele. Me recebeu o Eike e o executivo dele. O Crivella chegou com o sobrinho, Mauro Macedo. Tinha um café da manhã. Falamos 30 minutos. Gravamos um spot do Crivella apoiando o Eduardo Paes”, disse Cabral.

Ele disse ainda que ajudou o deputado Aécio Neves em sua campanha presidencial em 2014 com R$ 3 milhões via caixa dois. O dinheiro foi repassado pelo empresário José Carlos Lavouras e a OAS.

“Ele estava passando por dificuldades na campanha, perdendo o segundo lugar pra Marina [Silva], que tinha passado ele. Ele estava muito deprimido, muito ‘pra baixo’. Então pedi pro [ex-presidente do Conselho da Fetranspor José Carlos] Lavouras procurar o Oswaldo, que era o homem que cuidava do dinheiro dele. O Aécio não participou da reunião, essa reunião foi entre mim e o Lavouras. Depois, ele [Aécio] me ligou pra agradecer. Eu mandei dar R$ 1,5 milhão pra ele desse dinheiro. Eu mandei dar também R$ 1,5 milhão da OAS pra ele. E também R$ 1,5 milhão para o Picciani”.

Cabral disse também que a Fetranspor deu R$ 20 milhões para a campanha dele em 2010, quando foi reeleito governador do estado. E, nas eleições seguintes, em 2014, deu R$ 30 milhões para a campanha que elegeu o seu vice, Luiz Fernando Pezão.

O ex-governador disse ter sido “achacado por parlamentares federais” e “feito tratos” com ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal de Contas da União (TCU).

Cabral mencionou no depoimento o ministro Marco Aurélio Belizze, do STJ. Afirmou que atuou para garantir sua nomeação por pressão – ”e até ameaça”.

“Fui achacado por parlamentares federais, tive que fazer trato com ministros do TCU e do STJ. Me coloco à disposição do MP [Ministério Público], tive que fazer, organizar… deputados e senadores, enfim. Tive que atender a presidente da República para beneficiar pessoas. Eu deveria ter dito não”, disse, sem citar nomes.

Cabral disse ainda que o Rio de Janeiro não é o único estado dominado pela “praga da corrupção”.

“O que aconteceu com o Rio de Janeiro aconteceu, com certeza, com todos os estados da federação”, afirmou Cabral.

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