O governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que as fronteiras do país serão fechadas a partir da meia-noite de 26 de julho, por ocasião das eleições do dia 28. A decisão foi anunciada pelos ministérios da Defesa e do Interior, que também estabeleceram a suspensão do porte de armas e a proibição de bebidas alcoólicas a partir da mesma data até 23h59 de 29 de julho.
Ainda serão vetados a comercialização, distribuição e uso de objetos pirotécnicos, a circulação de cargas pesadas e a realização de manifestações públicas, restrições que são de praxe em processos eleitorais.
Maduro também determinou o aquartelamento dos funcionários policiais em todo o país, que ficarão à disposição do Comando Estratégico Operacional da Força Armada Nacional Bolivariana.
No poder desde 2013, Maduro é acusado pela oposição de instaurar um regime autoritário na Venezuela, palco de uma longa crise que já espalhou milhões de refugiados pelo mundo, sobretudo na América Latina.
Seu principal adversário é o diplomata Edmundo González, apoiado por María Corina Machado, impedida de disputar as eleições.
Lula diz ter ficado ‘assustado’ com fala de Maduro sobre ‘banho de sangue’ e afirma que venezuelano precisa respeitar eleição
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta segunda-feira (22) que ficou assustado com a declaração de Nicolás Maduro de que haveria um “banho de sangue” caso ele perdesse as eleições marcadas para o próximo domingo (28) na Venezuela.
As declarações do petista foram dadas em uma entrevista no Palácio da Alvorada a agências internacionais como Reuters, Bloomberg, France Presse e Associated Press. O governo ainda não divulgou a gravação oficial.
Na entrevista, Lula também afirmou que Maduro deve aprender que, quando se perde uma eleição, é preciso respeitar o resultado e ir “embora”.
“Eu fiquei assustado com a declaração do Maduro dizendo que, se ele perder as eleições, vai ter um banho de sangue. Quem perde as eleições toma um banho de voto. O Maduro tem que aprender, quando você ganha, você fica; quando você perde, você vai embora”, afirmou Lula, segundo a agência Reuters.
O petista destacou que o Brasil enviará observadores e o assessor da Presidência para assuntos internacionais Celso Amorim para acompanhar o processo eleitoral do país vizinho.
“Eu já falei para o Maduro duas vezes, e o Maduro sabe, que a única chance da Venezuela voltar à normalidade é ter um processo eleitoral que seja respeitado por todo o mundo”, afirmou o presidentes às agências.
“Se o Maduro quiser contribuir para resolver a volta do crescimento na Venezuela, a volta das pessoas que saíram da Venezuela e estabelecer um Estado de crescimento econômico, ele tem que respeitar o processo democrático”, completou Lula.
‘Banho de sangue’ e ‘guerra civil’
Na semana passada, Maduro, que é candidato à reeleição, afirmou que pode haver “banho de sangue” e “guerra civil” na Venezuela caso ele não vença as eleições.
No dia, o governo brasileiro não se pronunciou oficialmente sobre as falas do mandatário venezuelano.
Lula citou a Venezuela em um discurso na última sexta-feira (19), porém junto com outros países da América Latina.
A Venezuela realiza eleições no próximo domingo, 28 de julho. A comunidade internacional tem dúvidas a respeito da lisura do pleito, o que contraria um compromisso formal assinado em outubro de 2023.
Maduro, que busca o terceiro mandato consecutivo, terá como principal concorrente o ex-diplomata Edmundo González, escolhido a partir de uma coalizão de partidos opositores.
González foi anunciado pela Plataforma Democrática Unitária (PUD) após Corina Yoris ter sido impedida de concorrer às eleições presidenciais.
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